SEGURO RESIDENCIAL
O seguro residencial, é
a soma de uma série de garantias oferecidas...
O Brasil tem alguns milhões de residências
sem nenhum tipo de seguro. Pode parecer estranho,
mas é verdade, embora essa modalidade custe
muito pouco e proteja um bem da maior importância
para a estabilidade econômica de grande
parte das famílias de classe média.
A
casa própria é um dos sonhos mais
acalentados por praticamente todos os novos casais.
Faz parte da tradição da classe
média comprar este imóvel como solução
para a despesa do aluguel, como investimento e
símbolo de status social.
No
entanto, na maioria dos casos, apesar do valor
relativamente alto do bem e da quase impossibilidade
da sua reposição em caso de um incêndio,
não se contrata seguro para protegê-lo.
Curiosamente,
boa parte dos edifícios em condomínio
tem seguro contra incêndio para a construção
e as áreas comuns, mas os apartamentos
que o compõem não possuem seguros
para seu conteúdo.
Isto
decorre sem dúvida nenhuma da preocupação
com a responsabilidade do síndico em caso
da ocorrência de um sinistro, já
que ele responde pelos danos causados, e pela
eventual falta do seguro, com seu patrimônio
pessoal. Mas só isso não explica
a pouca contratação de seguros pelos
moradores dos apartamentos.
Essa
explicação passa por uma série
de outros fatores, como desconhecimento do produto,
da importância de tê-lo e da relação
custo/benefício. E prossegue na pouca divulgação
que é feita pelas seguradoras e no pequeno
apelo econômico para os corretores de seguros.
O
seguro residencial, atualmente, é a soma
de uma série de garantias oferecidas num
pacote amplo, que tem como cobertura básica
os danos causados por incêndio. Esta cobertura
é de contratação obrigatória
e indeniza os danos decorrentes de fogo, queda
de raio no local segurado e explosão de
gás de cozinha.
Algumas
apólices podem ampliar a garantia básica
como ferramenta de marketing, mas o normal é
o pacote descrito. Além desse, os pacotes
de seguros residenciais oferecem uma grande gama
de garantias acessórias, que podem ou não
ser contratadas. O normal é a exigência
da contratação de pelo menos uma
delas, em conjunto com a garantia básica.
As
garantias acessórias visam a proteger o
segurado contra riscos específicos que
podem afetar o imóvel. Entre elas, as mais
conhecidas são contra as de danos elétricos
e roubo.
Mas
existem outras, como vendaval, que é muito
ampla, cobrindo também granizo, vento forte,
tornado e furacão. E as para desmoronamento,
impacto de veículos e queda de aeronave.
Ou
as coberturas para perda de aluguel, moradia temporária,
quebra de vidros e responsabilidade civil dos
moradores, que protege inclusive contra os danos
sofridos por empregados domésticos durante
o trabalho.
Poderia
haver mais uma série delas, bastando a
seguradora detectar o interesse dos segurados
ou decidir aumentar o espectro das garantias oferecidas.
Além de tudo, o seu prêmio é
muito barato.
A
única garantia que destoa é a de
roubo, que é cara. Para dar uma noção
do preço, a garantia de incêndio
chega a ter uma taxa de 0,05% da importância
segurada.
Vale
dizer, um imóvel avaliado em R$ 1 milhão
paga de prêmio de seguro de incêndio
R$ 500 por ano.
A razão para o seguro residencial custar
muito mais barato do que um seguro de automóvel,
por exemplo, é simples: a ocorrência
de sinistros neste tipo de seguro é bem
menor.
Por
outro lado, é justamente seu preço
que faz com que ele seja uma modalidade economicamente
pouco interessante para o corretor de seguros.
Com
prêmio baixo não tem como a comissão
ser alta. E ninguém vai fazer muita força
para vender um seguro que lhe rende R$ 100 por
ano.
Assim,
enquanto o seguro residencial for visto apenas
sob a ótica da comissão, dificilmente
ele será muito vendido. Mas se o seguro
residencial for visto como instrumento de fidelização
do segurado, a coisa muda de figura e ele passa
a ser muito interessante.
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*
Antonio Penteado Mendonça é advogado
e consultor, professor do Curso de Especialização
em Seguros da FIA/FEA-USP e comentarista da Rádio
Eldorado.
Fonte: CQCS
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